Opinião

Mitologia e impacto social

No mundo das Organizações do Terceiro Setor (OTS) o dia-a-dia é vertiginoso – há urgências, emergências, demasiado trabalho, poucas pessoas, insuficientes recursos financeiros. Medição de impacto social parecia ser mais uma daquelas coisas que alguém inventou para dar mais trabalho. Mas afinal o que é este impacto de que toda a gente fala e pode ou não ser medido?

Quando as palavras “impacto social” entraram no léxico português ninguém sabia exatamente o que era. Mais de 5 anos depois, a discussão do conceito ainda não se esvaziou. Antes pelo contrário. Para muitos ainda não é claro o que é. Alheia a esta discussão semântica, surgiu uma discussão paralela – mas como podemos medir o impacto social? Para alguns a ideia de medir indicadores qualitativos de maneira quantificável parecia absurda. Para adicionar complexidade, começou a discussão sobre que metodologia usar. E a par dos mitos que sempre surgem no meio de discussões recorrentes, quase sem saber como, a medição de impacto social tornou-se uma moda. E muitos continuavam sem saber o que era e como medi-lo.

E depois veio a era SROI (Social Return on Investment). Financiadores e organizações perceberam que esta metodologia permitia a quantificação do qualitativo e elegeram-na como metodologia de eleição. Infelizmente, o SROI não é a metodologia certa para todos os casos e tem uma complexidade de implementação e de monitorização. E com isto começaram a surgir os primeiros casos de “fashion victims” – os que tentaram o SROI sem resultado e passaram a odiar a medição de impacto social. Uma pena. Especialmente porque a medição de impacto social tem inúmeras vantagens: permite provar resultados e impactos, melhorar os serviços e a relação com os beneficiários, aumentar a eficácia e eficiência e até obter mais parcerias e financiamentos. Mas com dezenas de maneiras para medir o impacto social, as organizações deverão utilizar metodologias adaptadas ao contexto, ao projeto/ programa, e à tipologia das suas organizações.  Talvez ninguém lhes tenha dito isto.

Por isso é possível quantificar o qualitativo, é possível fazê-lo apesar do excesso de trabalho, é possível fazê-lo com pouco recursos. Só resta saber se as organizações percebem que há interesse estratégico em fazê-lo.

 

Cláudia Pedra

Managing Partner

Stone Soup Consulting

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